São Paulo / SP - segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Qual a diferença entre infertilidade e esterilidade?

Qual a diferença entre infertilidade e esterilidade? Quais são as causas?

O que é infertilidade/esterilidade?

Fala-se de infertilidade quando um casal não consegue a gravidez desejada ao fim de um ano (ou dois, na Europa) de vida sexual ativa e contínua, sem estar usando qualquer método contraceptivo. A infertilidade resulta de uma disfunção dos órgãos reprodutores, dos gametas ou do concepto. A esterilidade, por seu turno, é a impossibilidade que tem o homem ou a mulher de produzir gametas (células sexuais: óvulos para a mulher; espermatozoide para os homens) ou zigotos (ou ovos - células que resultam da fusão entre óvulos e espermatozoides) viáveis.

A diferença entre infertilidade e esterilidade nem sempre é feita com precisão e nem sempre se baseia em critérios idênticos. Daquilo que se depreende do conceito acima, podemos dizer que um casal é infértil se tem apenas uma diminuição das chances da gravidez, que podem ser contornadas por medidas médicas, e que é estéril quando a capacidade de gerar filhos é nula.

A infertilidade e a esterilidade podem ser femininas, masculinas, femininas e masculinas ou não ter causa aparente. Sempre é melhor falar de casal infértil ou estéril porque uma causa de grande intensidade em um parceiro pode ser ajudada por outra mais branda no outro, e vice-versa.

Quais são as causas da infertilidade/esterilidade?

Algumas síndromes que causam infertilidade/esterilidade têm caráter congênito ou hereditário, como as faltas de órgãos (útero, trompa ou vagina) ou alterações das gônadas. Contudo, na maioria das vezes, os fatores de infertilidade/esterilidade (sejam masculinos ou femininos), são adquiridos e decorrem de infecções; alterações hormonais; sequelas de cirurgias ou traumas ou do uso abusivo de medicamentos ou drogas.

As principais causas de infertilidade/esterilidade feminina são:

  • Distúrbios hormonais que impedem o crescimento e a liberação do óvulo.
  • Doenças do ovário.
  • Obstrução das trompas.
  • Infecções pélvicas.
  • Endometriose.
  • Alterações do muco cervical.
  • Anomalias do útero.
  • Doenças que afetam a vagina.
  • Doenças sistêmicas (diabetes mellitus, alterações das suprarrenais, alterações da tireoide, obesidade, estresse, bulimia, anorexia, doenças hepáticas que afetam o metabolismo dos estrogênios, etc).
  • Intoxicações, como as pelo álcool ou drogas.

A infertilidade/esterilidade masculina depende de que o homem seja capaz de depositar uma quantidade adequada de espermatozoides sadios na vagina da mulher. Nos homens, pois, a infertilidade/esterilidade pode ser causada pela:

  • Insuficiência quantitativa de espermatozoides.
  • Ausência, anomalias morfológicas ou distúrbios da motilidade dos espermatozoides.

As causas mais comuns da diminuição dos espermatozoides estão relacionadas a alterações da produção deles (doenças da hipófise, da tireoide ou da suprarrenal, traumas e problemas congênitos dos testículos, problemas causados pelo uso de medicamentos, varicocele, etc.). Vários outros fatores (às vezes simples) podem também alterar o processo de produção de espermatozoides como, por exemplo, um aumento da temperatura (por uma febre prolongada, criptorquidia - não descida do testículo desde a cavidade abdominal para a bolsa escrotal - ou por uma varicocele, por exemplo). Em homens submetidos à extirpação da próstata (ou, eventualmente, a outra intervenção cirúrgica pélvica) e nos diabéticos o sêmen pode seguir uma direção inversa à habitual e deslocar-se para a bexiga em vez de se deslocar para o pênis, tornando-os, assim, inférteis.

Em geral existem causas concorrentes e, por isso, encontrar uma causa não significa que não haja também outras.

Quais são os sinais e sintomas da infertilidade/esterilidade?

A infertilidade é conceituada pela ausência da gravidez após pelo menos um ano (ou dois, na Europa) de tentativa de engravidar espontaneamente (relações sexuais regulares no período fértil - do 12° ao 15° dias do ciclo menstrual - sem o uso de qualquer método contraceptivo). Após um ano de tentativa deve ser procurado um ginecologista, para tentar resolver a situação. Em mulheres acima de 35 anos esse prazo deve cair para seis meses.

A esterilidade se caracteriza pela constatação da incapacidade definitiva para gerar filhos.

Como o médico diagnostica a infertilidade/esterilidade?

O diagnóstico de infertilidade/esterilidade deve ser feito através da “pesquisa básica de fertilidade” e sempre envolver o casal, desde o início. Constitui um erro começar a investigação apenas por um dos membros.

Estatisticamente, a infertilidade decorre em 30% dos casos, da mulher; em 30% dos casos, do homem; em 30% dos casos, de ambos; em 10% dos casos não é possível determinar-se a causa.

Alguns exames ajudam a diagnosticar as causas da infertilidade/esterilidade:

  • Ultrassonografia transvaginal: permite também fazer certos procedimentos da fertilização in vitro.
  • Histerossalpingografia: exame radiológico contrastado que avalia uma possível obstrução das tubas uterinas.
  • Histeroscopia: exame que permite uma visualização direta da cavidade uterina e complementa a histerossalpingografia e a histerossonografia.
  • Espermograma: visa conhecer um dos fatores masculinos, avaliando os graus de concentração, motilidade, vitalidade e morfologia dos espermatozoides.

Outros exames a serem usados em casos específicos são: avaliação do muco cervical, biópsia endometrial, culturas cervicais, pesquisa de anticorpos anti-espermatozoides, exames imunológicos e laparoscopia.

Como se trata a infertilidade/esterilidade?

Além do tratamento das causas, a medicina dispõe de vários métodos para contornar a infertilidade: fertilização in vitro, inseminação intrauterina, indução da ovulação.

  • O método da fertilização in vitro, ou do chamado ”bebê de proveta", é reservado para a mulher que já tenha tentado outras formas de tratamento. Segundo ele, vários óvulos são removidos do ovário e artificialmente fecundados em laboratório com os espermatozoides do parceiro ou de um doador anônimo e depois transferidos para o útero. As mulheres com impossibilidade de produzir óvulos podem também se beneficiar desse método e receberem óvulos de uma doadora, fecundados artificialmente, em laboratório, pelos espermatozoides do seu parceiro e abrigar os embriões em seu próprio útero.
  • A inseminação intrauterina consiste na introdução de espermatozoides purificados na cavidade uterina (acima do colo uterino) até 36 horas após a indução da ovulação.
  • A indução da ovulação é utilizada quando tenha sido diagnosticada a falta ou distúrbios na ovulação, nos casos de ovários policísticos, em uma fase da inseminação intrauterina ou da fertilização in vitro.

Como prevenir a infertilidade/esterilidade?

  • Evitar excesso de exercícios e desordens alimentares, porque esses fatos parecem diminuir a produção tanto de óvulos quanto de espermatozoides.
  • Corrigir doenças metabólicas como o diabetes mellitus, desordens do colesterol, etc.
  • Multivitaminas e sais minerais podem ajudar os homens com baixa contagem de espermatozoides.
  • Se houver desordens alimentares (bulimia e anorexia) o tratamento delas deve preceder o tratamento da infertilidade.
  • Evitar as doenças sexualmente transmissíveis, algumas das quais podem causar infertilidade/esterilidade.

Quais são as chances de êxito no tratamento da infertilidade?

Desde que as técnicas descritas sejam usadas adequadamente, as chances de êxito no tratamento da infertilidade são quase tão boas como as naturais, ou mesmo melhores.

A possibilidade da concepção de gêmeos (dois ou mais) é maior com a utilização desses recursos do que naturalmente. 

Fonte: ABC.MED.BR, 2012. Qual a diferença entre infertilidade e esterilidade? Quais são as causas?. Disponível em: <http://www.abc.med.br/p/309845/qual-a-diferenca-entre-infertilidade-e-esterilidade-quais-sao-as-causas.htm>. Acesso em: 2 jul. 2014.

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As informações aqui disponibilizadas são de caráter exclusivamente informativo.