São Paulo / SP - segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

HPV: A Vacina Contra o Papilomavírus Humano

HPV Papilomavírus Humano

Inicialmente, a vacina contra o Papilomavírus Humano – HPV – era aplicada apenas em meninas, mas ultimamente, embora ainda não tenha sido aprovada oficialmente, passou a ser recomendada para meninos de 9 a 26 anos – faixa etária em que foi testada. Meninas antes da fase sexualmente ativa são as principais beneficiadas com a vacina, pois problemas decorrentes do HPV em meninos são raros, porém é justificável vaciná-los, para interromper a cadeia de transmissão do vírus.

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A maioria das infecções, causadas pelo HPV, são transitórias, pois o sistema imune consegue combatê-lo de maneira eficiente, alcançando a cura com eliminação completa do vírus, principalmente entre os mais jovens. Pessoas infectadas com HPV desenvolvem anticorpos, mas nem sempre estes são suficientemente competentes para eliminarem o vírus. Estudos comprovam que de 50 a 80% das mulheres sexualmente ativas serão infectadas por um ou mais tipos de HPV em algum momento de suas vidas. Apenas 1% das infectadas terá verrugas genitais. Embora desagradáveis e difíceis de controlar, podem ser curadas com pomadas que estimulam o sistema imune. Câncer é ainda mais raro. Somente 0,5% das mulheres infectadas pelo HPV desenvolvem tumores do colo do útero. O câncer de pênis ocorre em apenas 0,05% dos homens que tiveram contato com o vírus, porém pequenas lesões podem ser tratadas, por um urologista, antes de virar câncer.

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Se existirem lesões visíveis, o parceiro pode ser infectado. Não se sabe com certeza se pessoas com infecção latente (sem sinais aparentes) transmitem o vírus. Se houver poucas cópias virais no organismo, ele não é transmitido.

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A maioria das infecções é assintomática ou inaparente e de caráter transitório. As infecções clínicas mais comuns são verrugas genitais ou condilomas acuminados, conhecidas como "crista de galo". Ocorrem nas regiões genitais e são transmitidas por meio de relações sexuais, causando lesões na vulva, pênis e ânus, É rara a presença do vírus na laringe (cordas vocais) e no esôfago, sendo a transmissão por contato direto com a pele infectada. As infecções sub-clínicas são encontradas no colo do útero e não apresentam qualquer sintomatologia, podendo progredir para o câncer, caso não sejam tratadas precocemente. O HPV responde por mais de 99% dos casos deste tipo de câncer, o segundo mais freqüente entre as brasileiras – atrás apenas do câncer de mama. Somente uma pequena fração está infectada com o tipo oncogênico e eventualmente desenvolverá câncer (estima-se que esse número seja menor que 10% e em alguns casos inferior até a 3%).

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Também existe uma classificação para os tipos de lesões, de acordo com o tamanho. Se atingir até um terço da mucosa do colo do útero, é considerada de baixo grau e geralmente não exige tratamento, apenas acompanhamento médico. Quando atinge até dois terços, é de médio grau e o profissional avalia a necessidade de tratamento. Se o HPV está na mucosa toda é de alto grau e, nesse caso, os riscos de evoluir para um câncer são maiores que 12%. Aqui, pode se optar por uma intervenção cirúrgica, que, dependendo da extensão do problema, compromete a estrutura do colo para uma futura gestação.

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Existem fatores que aumentam o potencial de desenvolvimento do câncer genital em mulheres infectadas pelo HPV:

Tabagismo;
Número elevado de gestações;
Uso de contraceptivos orais;
Infecção pelo HIV
Doenças sexualmente transmitidas (como herpes e clamídia).

As verrugas genitais podem ser diagnosticadas por exame urológico (pênis), ginecológico (vulva) ou dermatológico (pele), enquanto o diagnóstico sub-clínico das lesões precursoras do câncer do colo do útero, produzidas pelo HPV, pode ser realizado pelo exame citopatológico (exame preventivo de Papanicolau). A confirmação do diagnóstico pode ser feita por exames laboratoriais de diagnóstico molecular como o teste de captura híbrida e o PCR.

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Um cuidado importante é reduzir o número de parceiros sexuais e usar preservativo, mesmo entre casais estáveis. A camisinha é fundamental para evitar o risco de contrair outros tipos de HPV e outras doenças sexualmente transmissíveis, como a AIDS. Tanto a masculina quanto a feminina, porém, não são completamente eficazes contra o HPV. Ele pode estar no escroto, na região anal e na pele (regiões não cobertas pela camisinha) e ser transmitido mesmo quando o casal usa preservativo.

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O fato de ter mantido relação sexual com uma mulher com infecção por HPV não significa que ocorrerá transmissão da infecção. Em caso de dúvida recomenda-se procurar um urologista que por meio de uma peniscopia (visualização do pênis através de uma lente de aumento) ou do teste de biologia molecular (exame de material colhido do pênis para pesquisar a presença do DNA do HPV), para definir a presença ou não de infecção por HPV.

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A maioria dos tratamentos para lesões no colo uterino mantém o útero intacto o suficiente para preservar a fertilidade. Na gravidez, verrugas e lesões podem aumentar rapidamente, mas podem ser removidas se estiverem sangrando ou obstruindo o canal do parto. O HPV é raramente transferido da mãe para a criança. Em casos incomuns, os tipos 6 e 11 de HPV podem provocar verrugas na garganta de recém-nascidos de mães com verrugas genitais grandes. A ocorrência de HPV durante a gestação não implica obrigatoriamente numa má formação do feto nem impede o parto vaginal (parto normal). A via de parto (normal ou cesariana) deverá ser determinada pelo médico após a análise de cada caso.

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As verrugas são tratadas por meio de congelamento, cauterização e remoção. Também podem ser adotados cremes que o próprio paciente aplica. Quando surge uma alteração no Papanicolau, o médico opta entre acompanhar o caso ou retirar a área afetada. Pessoas que tiveram uma doença transmitida por contato sexual têm mais chance de ter outra doença associada. Nesses casos, é importante pesquisar se existem outros problemas, como clamídia, gonococo, sífilis, HIV e hepatites virais.

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Existem mais de 200 subtipos de HPV. Os que são associados às verrugas, normalmente não são os mesmos encontrados nos tumores malignos. Estão classificados em dois tipos: de baixo ou de alto risco oncogênico. Assim, os HPV de tipo 6 e 11, encontrados na maioria dos condilomas genitais e papilomas laríngeos, parecem não oferecer nenhum risco de progressão para malignidade, apesar de serem encontrados em pequena proporção de tumores malignos. Os vírus de alto risco (HPV tipos 16, 18, 31, 33, 45, 58 e outros) têm probabilidade maior de persistir e estar associados a lesões malignas.

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A vacina quadrivalente protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18, que são responsáveis por 70% dos tumores do colo do útero e por 90% das verrugas genitais. Elas são benignas, mas incomodam. A vacina bivalente protege contra os tipos 16 e 18 que podem provocar câncer. Um terço dos casos de câncer é provocado por tipos virais contra os quais as vacinas não protegem. Quando a doença é descoberta no início, as chances de cura estão acima de 80%. Se ela é detectada em estágio avançado, cai para menos de 40%.

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Até o momento, só se tem alguma convicção de uma proteção de 5 anos, conferida pela vacina. Embora se trate da mais importante novidade no combate ao câncer do colo do útero, ainda é preciso delimitar qual seu alcance sobre a incidência e a mortalidade da doença.

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A adoção da vacina não substitui a realização rotineira do exame Papanicolau.  O exame que detecta lesões pré-cancerosas causadas por outros tipos do HPV continua sendo fundamental. Trata-se de mais uma estratégia para enfrentar o problema. É importante fazer um acompanhamento ginecológico desde que se inicia a vida sexual. E a partir dos 30 anos é necessário redobrar os cuidados, pois o sistema imunológico começa a enfraquecer e o vírus causa lesões de maior gravidade no colo do útero.

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O ideal é recebê-la antes do início da vida sexual. Mesmo que a pessoa tenha sido infectada por um dos tipos de HPV, a vacina protege de outros.

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Com exames anuais de Papanicolau e tratamento precoce das lesões com alto potencial de malignidade, seria possível reduzir em 80% a mortalidade por tumores do útero. Se 70% das garotas entre 9 e 12 anos recebessem apenas a vacina, o risco de terem câncer do colo do útero em algum momento da vida cairia apenas 43%. Ou seja: sozinha, a vacinação não eliminaria o problema. Seria necessário garantir também que todas as mulheres conseguissem fazer o Papanicolau.

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Autor:    Dra. Renata Zito

Coautor: Sônia Regina Juliani 

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  Bibliografia:

 -        INCA – Instituto Nacional do Câncerhttp://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?id=327

 -        Artigo – A Geração Inune ao HPV – Revista Época – nº 560 – 09/02/2009 

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI25965-15257,00-VALE+A+PENA+TOMAR+VACINA+CONTRA+HPV.html