São Paulo / SP - segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Câncer de Mama

Um terço dos casos detectados na mamografia podem não necessitar do tratamento instituído, segundo artigo do BMJ

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Pesquisa publicada na revista científica British Medical Journal (BMJ) e realizada com dados de cinco países concluiu que um em cada três casos de câncer de mama detectados por mamografias pode ser inofensivo, ou seja, não causar morte ou sintomas, não exigindo o tipo de tratamento destinado a casos de câncer que ameaçam a vida das pacientes.

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O estudo realizado por estudiosos do centro Nordic Cochrane, na Dinamarca, analisou informações sobre mulheres da Grã-Bretanha, Austrália, Canadá, Noruega e Suécia que se submeteram ao exame de rastreamento de câncer de mama. Após a introdução de programas de diagnóstico precoce do tumor mamário pelos governos destes países, a mamografia aumentou o diagnóstico de casos deste tipo de tumor, mas também aumentou o número de mulheres que recebem tratamento para a doença desnecessariamente.

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Segundo os especialistas, os exames podem levar à detecção de casos letais de câncer ainda em seus estágios iniciais, mas também detectam casos inofensivos que não vão causar morte ou mesmo sintomas. A detecção destes casos de câncer, que não ocorreria clinicamente, pode ser apenas prejudicial a estas pessoas, disseram eles. Todos os casos detectados são tratados, às vezes desnecessariamente. Este tratamento pode levar a efeitos colaterais importantes e abalar o estado mental de uma pessoa que recebe este diagnóstico.

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A pesquisa foi criticada pela diretora do programa britânico para prevenção do câncer, Julietta Patnick, que sugeriu que os cientistas tenham feito um uso altamente seletivo das estatísticas coletadas e ignoraram mudanças nos estilos de vida das mulheres que estão associados a um aumento nos casos de câncer de mama. Ela disse que, apenas na Inglaterra, a mamografia salva a vida de 1,4 mil pessoas anualmente.

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As mulheres precisam ter este conhecimento para avaliarem, juntamente com seus médicos, qual a melhor opção de tratamento para cada uma.

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Fonte:  British Medical Journal